Resposta Rápida:
Brasileiros viajando para Ruanda precisam de visto, que pode ser obtido na chegada (Visa on Arrival) por USD 50,00 para turismo de até 30 dias, ou antecipadamente como o East Africa Tourist Visa (EATV) por USD 100,00 para acesso também ao Quênia e Uganda. É obrigatório apresentar passaporte válido por 6 meses e o Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela. Atenção à proibição total de sacolas plásticas e à aceitação exclusiva de notas de dólar novas (pós-2013).
O rigor na documentação de entrada que define sua experiência em Ruanda
Ruanda transcendeu sua história recente para se tornar a ‘Singapura da África’: uma nação meticulosamente organizada, limpa e segura. No entanto, essa eficiência se reflete em um controle de fronteiras que não admite improvisos. Diferente de muitos vizinhos continentais onde a flexibilidade é comum, a imigração ruandesa opera com protocolos de precisão quase militar. Para o viajante brasileiro, entender as nuances do visto e as regras sanitárias da DGIE (Directorate General of Immigration and Emigration) não é apenas burocracia, é a linha tênue entre uma expedição inesquecível e a deportação no Aeroporto Internacional de Kigali (KGL).
Este artigo, elaborado com a experiência técnica da Mundial Vistos, disseca as exigências atuais, desde a emissão do visto até as leis ambientais que afetam sua bagagem, garantindo que sua chegada ao país das mil colinas seja tão fluida quanto sua estadia.
Visto para Ruanda: Classe T1 e a logística do pagamento na chegada
Para cidadãos brasileiros, a entrada em Ruanda é facilitada pelo regime de Visa on Arrival (Visto na Chegada), especificamente na classe de turismo T1. Ao desembarcar em Kigali, você não precisa de um visto prévio colado no passaporte, mas deve passar pelo processo de aprovação nos guichês de imigração. A taxa governamental é de USD 50,00 e concede uma permanência improrrogável de 30 dias.
Embora o sistema pareça simples, a falha ocorre na execução do pagamento. As máquinas de cartão de crédito no aeroporto dependem de estabilidade de rede, que nem sempre está disponível. Confiar apenas no cartão internacional pode deixá-lo retido na zona de trânsito até que o sistema volte. A Mundial Vistos recomenda enfaticamente que você leve o valor exato em espécie, em notas de dólar novas (veja a seção sobre câmbio abaixo), para agilizar sua liberação.
Se sua viagem exceder 30 dias, a extensão deve ser solicitada online através da plataforma governamental Irembo antes do vencimento do visto atual. A permanência ilegal (overstay) é tratada como infração grave, sujeita a multas pesadas e detenção até a regularização.
A armadilha técnica do Visto Turístico da África Oriental (EATV)
O East Africa Tourist Visa (EATV) é o “santo graal” para quem planeja um safári integrado, permitindo múltiplas entradas em Ruanda, Quênia e Uganda por 90 dias ao custo de USD 100,00. No entanto, este documento carrega uma cláusula técnica que derruba o planejamento de muitos turistas: a regra do Primeiro Ponto de Entrada.
Estudo de caso: O erro logístico de Ana e o EATV invalidado
Considere o caso de Ana, que solicitou seu EATV através do sistema de imigração de Ruanda (Irembo) porque o site era mais intuitivo. Com o visto aprovado, ela encontrou uma promoção aérea e decidiu começar a viagem por Nairóbi, no Quênia. Ao chegar lá, seu EATV emitido por Ruanda foi considerado inválido.
A regra é clara: você deve obrigatoriamente entrar na região pelo país que emitiu o visto. Se o documento tem o cabeçalho de Ruanda, seu primeiro carimbo de entrada deve ser ruandês. Ana teve que pagar outros USD 50,00 por um visto queniano de entrada única e, ao chegar em Ruanda dias depois, seu EATV já havia sido cancelado pelo sistema, obrigando-a a pagar novamente. O planejamento do visto deve ser espelhado no seu itinerário aéreo.
Vigilância pós-surto de Marburg e exigências sanitárias do RBC
A saúde pública é levada a sério. O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) contra a febre amarela é mandatório. Sem ele, o embarque é negado ainda no Brasil. A vacina deve ter sido tomada há pelo menos 10 dias antes da viagem.
Além disso, após o surto do vírus de Marburg reportado no final de 2024, o RBC (Rwanda Biomedical Centre) mantém protocolos de vigilância ativa. Embora a situação esteja controlada, viajantes podem ser submetidos a triagem por scanners térmicos na chegada e na saída. É comum a exigência de preenchimento de formulários de declaração de saúde detalhados, informando países visitados recentemente. Qualquer sintoma febril detectado na imigração pode resultar em isolamento para testes no Hospital King Faisal. Viajar com um seguro saúde que cubra explicitamente pandemias e evacuação médica é, portanto, indispensável.
A proibição absoluta de plásticos: O que a alfândega confisca
Ruanda possui uma das leis ambientais mais rigorosas do mundo: o banimento total de sacolas plásticas não biodegradáveis. Diferente de outros países onde isso é apenas uma sugestão, em Kigali a fiscalização é intrusiva. Oficiais de alfândega têm autoridade para abrir qualquer bagagem e confiscar plásticos proibidos.
Isso inclui:
- Sacos plásticos de Duty Free trazidos de conexões (Dubai, Doha, Adis Abeba).
- Sacos de lixo ou de supermercado usados para organizar roupas sujas.
- O plástico filme (shrink wrap) que envolve as malas nos aeroportos.
Alternativas permitidas e recomendadas
Para evitar o constrangimento de ter seus pertences revirados e o material descartado na sua frente, utilize packing cubes de tecido, necessaires reutilizáveis ou sacos de papel. Sacos do tipo Ziploc reutilizáveis (para líquidos de higiene pessoal) são geralmente tolerados se ficar claro que voltarão com você, mas o ideal é não arriscar com descartáveis.
Umuganda: O bloqueio nacional que paralisa o turismo
Planejar deslocamentos em Ruanda exige consultar o calendário civil. No último sábado de cada mês, das 08:00 às 11:00 da manhã, ocorre o Umuganda, um trabalho comunitário obrigatório instituído pelo governo para reconstrução e limpeza do país.
Durante essas três horas, o país para. Lojas fecham, o trânsito de veículos particulares e táxis é proibido e barreiras policiais são montadas. Turistas são tecnicamente isentos do trabalho braçal, mas não da restrição de mobilidade. Se você tiver um voo partindo ao meio-dia ou um trekking agendado, precisará de uma autorização especial da polícia ou deverá sair do hotel antes das 07:00 da manhã. Ignorar o Umuganda pode significar perder um dia inteiro de roteiro ou, pior, seu voo de volta.
Trekking de Gorilas: Como o RDB aplica descontos de 30%
O encontro com os Gorilas da Montanha no Parque Nacional dos Vulcões é a atração principal, com a permissão (permit) custando fixos USD 1.500,00 por pessoa. Este valor é arrecadado pelo RDB (Rwanda Development Board) e financia diretamente a conservação da espécie.
Existe, contudo, uma estratégia legítima para reduzir esse custo. O governo oferece um desconto de 30% (baixando o valor para cerca de USD 1.050) se você visitar outros parques nacionais, como o Akagera National Park (savana) ou o Nyungwe National Park (floresta tropical), por pelo menos 3 dias durante a baixa temporada (novembro a maio). Para obter esse benefício, é necessário apresentar comprovantes de reserva e pagamento dessas atividades extras no momento da solicitação da permissão dos gorilas. A Mundial Vistos pode auxiliar na estruturação desse dossiê para garantir a elegibilidade ao desconto.
Dinheiro e Câmbio: A rejeição das notas de dólar ‘cabeça pequena’
A moeda oficial é o Franco Ruandês (RWF), mas o turismo opera em Dólar Americano. O detalhe crucial é a aceitação das notas. Em toda a África Oriental, notas de dólar emitidas antes de 2013 (ou as chamadas “cabeça pequena” anteriores a 2006) são recusadas por bancos e casas de câmbio devido ao histórico de falsificações.
Viaje exclusivamente com notas da “nova série” (azuis, com a fita de segurança 3D), e garanta que estejam em estado impecável (“crisp”). Notas com rasgos mínimos, riscos de caneta ou manchas de tinta não são aceitas nem mesmo com deságio. Cartões Visa e Mastercard funcionam em hotéis de luxo, mas para artesanato, gorjetas e mercados locais, o dinheiro vivo (Cash) nas condições acima é a única forma de pagamento.
Em resumo
- Visto na Chegada: Custa USD 50,00; recomenda-se pagamento em espécie devido a falhas em máquinas de cartão.
- Regra do EATV: O visto conjunto (Ruanda, Quênia, Uganda) só é válido se você entrar pelo país que o emitiu.
- Plástico Banido: Malas são revistadas; use packing cubes em vez de sacolas plásticas, que serão confiscadas.
- Umuganda: No último sábado do mês, o trânsito para até as 11h; planeje sua logística para não ficar preso.
- Desconto Gorilas: É possível reduzir a taxa de USD 1.500 para USD 1.050 combinando a visita com os parques Akagera ou Nyungwe.
Conclusão
Ruanda oferece uma experiência de viagem transformadora, onde a conservação ambiental e a segurança pública são prioridades absolutas. No entanto, a excelência vista nas ruas de Kigali é sustentada por regras que não admitem o “jeitinho”. Uma falha na documentação do EATV, uma nota de dólar antiga ou uma sacola plástica esquecida podem gerar transtornos desproporcionais.
Na Mundial Vistos, nossa missão é assegurar que a burocracia seja invisível na sua jornada. Cuidamos da análise do seu perfil, da emissão correta dos vistos e da orientação sobre os requisitos do RBC e DGIE. Viaje com a tranquilidade de quem tem especialistas gerenciando cada detalhe do seu passaporte.
Perguntas Frequentes
Quanto custa o visto para Ruanda para brasileiros em 2025?
O visto de turismo na chegada (classe T1) custa USD 50,00 para uma estadia de 30 dias. O Visto Turístico da África Oriental (EATV), que inclui Quênia e Uganda, custa USD 100,00.
Brasileiros precisam de vacina de febre amarela para entrar em Ruanda?
Sim, a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) contra a febre amarela é obrigatória e deve ser tomada pelo menos 10 dias antes do embarque.
Posso levar sacolas plásticas na mala para Ruanda?
Não. Ruanda proíbe estritamente sacolas plásticas não biodegradáveis. Malas são revistadas na alfândega e quaisquer sacolas (incluindo de Duty Free) são confiscadas. Use ‘packing cubes’ ou sacos de tecido.
Como funciona o desconto para o trekking dos gorilas em Ruanda?
A permissão padrão custa USD 1.500. É possível obter 30% de desconto (pagando cerca de USD 1.050) se visitar também os parques nacionais Akagera ou Nyungwe por pelo menos 3 dias na baixa temporada (novembro a maio).
O que é o Umuganda e como afeta os turistas?
O Umuganda é um trabalho comunitário obrigatório que ocorre no último sábado de cada mês, das 08:00 às 11:00. O trânsito é bloqueado e o comércio fecha. Turistas devem evitar deslocamentos nesse horário.
