Resposta Rápida:
Para entrar na Nova Zelândia como turista por até 90 dias, brasileiros não precisam de visto consular tradicional, mas devem solicitar obrigatoriamente a NZeTA (Autorização Eletrônica de Viagem). Desde outubro de 2024, o custo total aumentou para cerca de NZD 120 por pessoa, devido ao reajuste da taxa de turismo (IVL). Estadias superiores a 3 meses exigem um Visitor Visa específico.
Como a nova taxação do visto para Nova Zelândia impacta seu orçamento e entrada
Embora a Nova Zelândia seja mundialmente famosa por suas paisagens de ‘O Senhor dos Anéis’ e qualidade de vida, a realidade burocrática para cruzar suas fronteiras sofreu alterações drásticas em outubro de 2024. Para os brasileiros que planejam visitar a Oceania, o conceito de ‘país sem visto’ precisa ser interpretado com cautela técnica. A isenção de visto consular tradicional não elimina a necessidade de uma autorização prévia rigorosa e, agora, consideravelmente mais cara.
Neste artigo, detalhamos as novas exigências da Immigration New Zealand, o impacto financeiro das taxas atualizadas e os protocolos de biossegurança que, se ignorados, podem resultar em multas pesadas antes mesmo de você sair do aeroporto.
O custo real da isenção e a confusão com o visto consular
A terminologia técnica é o primeiro obstáculo. Para turismo ou negócios de até 90 dias, cidadãos brasileiros são considerados ‘visa waiver travellers’ (viajantes isentos de visto). No entanto, essa isenção exige a emissão obrigatória da NZeTA (New Zealand Electronic Travel Authority).
Diferente de um simples carimbo no passaporte, a NZeTA é uma barreira de segurança digital. Sem o status ‘Issued’ vinculado ao seu documento de viagem, o embarque é negado ainda no Brasil. É fundamental distinguir: a NZeTA cobre visitas de curta duração. Se o seu plano envolve ficar mais de três meses, estudar por longo prazo ou trabalhar, você precisará aplicar para um Visitor Visa tradicional ou um visto de trabalho específico, processos que exigem análise consular muito mais profunda e documentação extensa.
Aumento da IVL e o novo cenário tarifário de 2024
Quem orçou a viagem no primeiro semestre de 2024 encontrará um cenário financeiro diferente. Desde 1º de outubro de 2024, o governo neozelandês aplicou um reajuste agressivo nas taxas de entrada para financiar a conservação ambiental e a infraestrutura turística.
Ao solicitar a NZeTA, o viajante paga compulsoriamente a IVL (International Visitor Conservation and Tourism Levy). Esta taxa triplicou de valor:
- Taxa IVL antiga: NZD 35
- Taxa IVL vigente (desde out/2024): NZD 100
Somando-se à taxa de processamento da NZeTA (aproximadamente NZD 17 pelo aplicativo oficial ou NZD 23 pelo site), o custo total para garantir a permissão de entrada agora oscila entre NZD 117 e NZD 123 por pessoa. Para um casal, isso representa um custo administrativo inicial de quase NZD 250, algo que deve ser previsto no fluxo de caixa da viagem.
A declaração digital obrigatória e o código QR
O antigo cartão de papel azul preenchido às pressas no avião foi aposentado. A modernização das fronteiras trouxe a New Zealand Traveller Declaration (NZTD). Este sistema digital unifica as declarações de imigração, alfândega e biossegurança.
O preenchimento da NZTD deve ser realizado online ou via aplicativo até 24 horas antes do início da viagem. O resultado é um QR Code que será exigido nos eGates (portões eletrônicos) ou pelos oficiais na chegada. Falhar em completar este passo não impede a entrada, mas garante uma fila manual lenta e questionamentos adicionais por parte dos oficiais, que verão a falta de preenchimento prévio como um sinal de desorganização.
O rigor da biossegurança e o papel do Ministry for Primary Industries
A Nova Zelândia leva a biossegurança a um nível de segurança nacional, sob a tutela do Ministry for Primary Industries (MPI). Por ser uma nação insular com um ecossistema isolado, a introdução de pragas estrangeiras pode devastar a economia agrícola.
No desembarque, a triagem inclui raio-x total e cães farejadores. A regra é absoluta: declare tudo. Uma maçã esquecida, mel, sementes ou botas de trekking com terra não declarados resultam em uma multa instantânea de NZD 400. Dependendo da gravidade e da intenção, o viajante pode ter a entrada negada e o visto cancelado com base no Biosecurity Act 1993. Se você declarar o item duvidoso, o pior cenário é o descarte do produto, sem multa financeira.
Comprovação de fundos para o ‘bona fide visitor’
Ter a NZeTA aprovada não garante a entrada. A decisão final cabe ao oficial de imigração, que avalia se você é um bona fide visitor (visitante genuíno). A comprovação financeira é o pilar dessa avaliação.
O viajante deve demonstrar acesso imediato a:
- NZD 1.000 por pessoa/mês de estadia; ou
- NZD 400 por pessoa/mês, caso a acomodação já esteja paga e comprovada (vouchers de hotel ou carta convite formal).
Além da liquidez financeira, a passagem de saída (onward ticket) é inegociável. O bilhete deve estar confirmado para uma data dentro do limite de 90 dias e com destino a um país onde você tenha direito de entrada (como o Brasil). Passagens em ‘standby’ são frequentemente rejeitadas para turistas.
Saúde pública e a cobertura limitada da ACC
O sistema de saúde da Nova Zelândia possui uma particularidade única: a Accident Compensation Corporation (ACC). Este órgão cobre os custos de tratamento para acidentes pessoais de qualquer pessoa no solo neozelandês, inclusive turistas (ex: uma torção de tornozelo em uma trilha).
Contudo, a ACC não cobre doenças. Uma infecção, gripe forte, apendicite ou dor de dente geram custos hospitalares integrais para o estrangeiro. Viajar sem um seguro viagem com cobertura robusta (mínimo sugerido de USD 30.000 a USD 50.000) é um risco financeiro que não vale a pena correr.
Em resumo
- NZeTA Obrigatória: Brasileiros isentos de visto devem emitir a autorização eletrônica antes do embarque.
- Aumento de Taxas: A IVL subiu para NZD 100 em outubro de 2024, totalizando cerca de NZD 120 por pessoa com as taxas de emissão.
- Declaração Digital: A NZTD deve ser preenchida online até 24h antes do voo para gerar o QR Code de entrada.
- Multas Pesadas: O não cumprimento das regras de biossegurança gera multa imediata de NZD 400.
- Saúde: O seguro viagem é essencial, pois o governo cobre apenas acidentes (via ACC), não doenças.
Conclusão
Planejar uma viagem para a Nova Zelândia exige mais do que comprar passagens; requer uma estratégia documental precisa para evitar prejuízos com as novas taxas e regras de 2024. O aumento da IVL e a digitalização com a NZTD mostram que o país busca um turismo qualificado e organizado.
Na Mundial Vistos, transformamos essa burocracia complexa em um checklist simples e seguro para você. Nossa equipe analisa seu perfil, auxilia na emissão correta da NZeTA e orienta sobre a comprovação de fundos para que sua chegada a Auckland seja marcada apenas pela ansiedade de explorar, não pelo medo da imigração.
Perguntas Frequentes
Brasileiros precisam de visto para a Nova Zelândia?
Para turismo de até 90 dias, brasileiros são isentos de visto consular (Visitor Visa), mas é obrigatório emitir a NZeTA (Autorização Eletrônica de Viagem) e pagar a taxa IVL antes do embarque.
Qual o valor da taxa NZeTA e IVL em 2025?
Desde outubro de 2024, a taxa IVL custa NZD 100. Somada à taxa de processamento da NZeTA (NZD 17 via app ou NZD 23 via site), o custo total gira em torno de NZD 117 a NZD 123 por pessoa.
Posso trabalhar na Nova Zelândia com a NZeTA?
Não. A NZeTA é estritamente para turismo ou visitas curtas. Qualquer atividade remunerada exige um Visto de Trabalho específico, sob pena de deportação.
O que acontece se eu não declarar alimentos na alfândega da Nova Zelândia?
Você estará sujeito a uma multa imediata (instant fine) de NZD 400. Itens de risco incluem frutas, mel, sementes, carnes e equipamentos de camping com terra.
Preciso de vacina de febre amarela para a Nova Zelândia?
A Nova Zelândia não exige a vacina para entrada no país, mas se seu voo fizer conexão na Austrália ou em países endêmicos, a companhia aérea pode exigir o Certificado Internacional de Vacinação.
