Resposta Rápida:
Brasileiros não precisam de visto para turismo na Islândia por até 90 dias, pois o país integra o Espaço Schengen. Desde 12 de outubro de 2025, o Sistema de Entrada/Saída (EES) está em vigor, exigindo coleta de biometria digital na chegada. A autorização eletrônica ETIAS tem previsão de entrada em vigor no último trimestre de 2026, com taxa de 20 Euros. Até lá, brasileiros continuam isentos. A entrada exige passaporte válido, seguro viagem obrigatório com cobertura de €30.000, comprovante de hospedagem e recursos financeiros.
Visto para a Islândia e requisitos de entrada para brasileiros
A Islândia é um destino que figura nos sonhos de viajantes que buscam o extraordinário. Conhecida como a terra do gelo e do fogo, a ilha oferece desde vulcões ativos até glaciares milenares. Para os cidadãos brasileiros, o acesso a esse paraíso natural começa com uma vantagem burocrática significativa.
Atualmente, não é necessário solicitar um visto consular para viagens de turismo ou negócios de curta duração. O Brasil possui acordo de isenção de vistos com o Espaço Schengen, do qual a Islândia é membro associado.
Entretanto, a ausência de um selo de visto no passaporte antes do embarque não garante a entrada automática. O controle de fronteiras islandês é técnico e rigoroso. O oficial de imigração tem autoridade total para negar a entrada caso os requisitos documentais não sejam apresentados de forma satisfatória.
Entendendo a isenção pelo Espaço Schengen
A política de fronteiras da Islândia segue as diretrizes do Acordo de Schengen. Isso significa que as regras aplicadas em Reykjavik são, em essência, as mesmas de Paris ou Berlim, mas com particularidades locais de fiscalização.
Brasileiros podem permanecer na região por até 90 dias a cada período de 180 dias. É crucial compreender que esse prazo é cumulativo para todos os países do bloco. Se o viajante passar 20 dias na Itália antes de seguir para a Islândia, restarão apenas 70 dias de permanência legal.
O cálculo é móvel, considerando sempre os 180 dias anteriores à data atual. Ultrapassar esse limite, mesmo que por um único dia, pode resultar em multas pesadas, deportação e proibição de retorno ao continente europeu por anos.
Sistema de Entrada/Saída (EES): A nova realidade na fronteira
Diferente do ETIAS, o Sistema de Entrada/Saída (EES – Entry/Exit System) já está em vigor desde 12 de outubro de 2025. Este sistema automatizado registra digitalmente a entrada e saída de viajantes de países terceiros (não-UE/EEE) que não necessitam de visto para estadias curtas no Espaço Schengen.
Para brasileiros que chegam à Islândia hoje (dezembro de 2025), a experiência na fronteira de Keflavík já inclui a coleta de biometria facial e impressões digitais nos quiosques automáticos. (Nota técnica: Se o viajante realizar conexão em outro país Schengen (ex: Alemanha ou França) antes de chegar à Islândia, o registro no EES e a coleta biométrica ocorrerão no primeiro ponto de entrada no bloco, e não necessariamente em Keflavík.) O carimbo físico está sendo gradualmente substituído, mas os viajantes devem estar preparados para recebê-lo e devem sempre conferir se a entrada foi registrada, pois o sistema está em fase de roll-out até abril de 2026. O EES visa modernizar o controle de fronteiras, garantir o cumprimento do limite de 90 dias em 180 e identificar viajantes que excedam o período permitido.
É útil informar que o registro biométrico realizado no EES (foto e digitais) é válido por 3 anos. Se o viajante retornar à Islândia ou a qualquer país Schengen dentro desse período, o processo nos quiosques automáticos será consideravelmente mais rápido, pois os dados já estarão no sistema (Entry/Exit System central).
É crucial informar que, embora o EES registre todos os viajantes, as impressões digitais não são coletadas de crianças menores de 12 anos, apenas a imagem facial. Para utilizar os quiosques de autoatendimento do EES em Keflavík, o passaporte brasileiro deve ser obrigatoriamente biométrico (possuir o chip). Caso contrário, o viajante será direcionado para a fila manual com o oficial de imigração.
ETIAS: A autorização eletrônica em breve
O cenário de viagens para a Europa está passando por uma modernização de segurança. O Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem, conhecido pela sigla ETIAS, foi implementado para isentos de visto.
O ETIAS não é um visto tradicional. Trata-se de uma autorização de viagem prévia, solicitada totalmente online. O sistema cruzará os dados do viajante com bancos de dados de segurança internacional para identificar riscos migratórios ou sanitários antes do embarque.
O sistema ETIAS tem previsão de entrada em vigor no último trimestre de 2026. O valor da taxa de processamento foi oficialmente fixado em 20 Euros (aproximadamente R$ 126,50 – Ref. Dez/2025) para viajantes entre 18 e 70 anos. Até o lançamento oficial em 2026, brasileiros continuam isentos desta autorização prévia. Em dezembro de 2025, o sistema não está coletando taxas nem emitindo autorizações. A autorização terá validade de três anos ou até o vencimento do passaporte. O aumento para €20 visa alinhar a Europa aos padrões do ESTA americano ($21) e ETA britânico (£10), garantindo sustentabilidade ao novo aparato de segurança digital.
Vale mencionar que, quando o ETIAS for lançado no final de 2026, haverá um período de carência de 6 meses onde a autorização será recomendada, mas não estritamente obrigatória para quem já está em viagem. Este período será seguido por um período de carência adicional de seis meses para viajantes de primeira viagem.
Requisitos técnicos do passaporte
O passaporte brasileiro é o único documento de identificação aceito para a entrada na Islândia. Carteiras de identidade (RG) ou habilitação (CNH) não têm validade para fins migratórios na fronteira externa.
Para ser aceito, o passaporte deve cumprir dois critérios de validade simultâneos:
- Ter sido emitido nos últimos 10 anos.
- Ter validade mínima de 3 meses após a data prevista de saída do Espaço Schengen.
Especialistas em imigração recomendam fortemente que o documento tenha, pelo menos, 6 meses de validade a partir da data de entrada. Essa margem de segurança evita transtornos caso haja necessidade de estender a viagem por emergências médicas ou cancelamentos de voos.
Comprovação de recursos financeiros
A Islândia possui um dos custos de vida mais elevados do planeta. O governo local exige garantias de que o turista possui fundos suficientes para se manter durante a estadia sem se tornar um encargo para o sistema de assistência social.
A Diretoria de Imigração da Islândia estabelece valores de referência diários que devem ser comprovados pelo visitante. Os valores de referência atuais para turistas em hotéis são de 8.000 ISK por dia (aproximadamente R$ 336,00 – ref. Dez/2025). Caso o viajante possua hospedagem garantida por residentes (comprovada por carta-convite), o valor mínimo cai para 4.000 ISK por dia (aproximadamente R$ 168,00 – ref. Dez/2025). Esses valores devem cobrir alimentação, transporte interno e lazer.
Formas de comprovação aceitas
- Dinheiro em espécie: Moedas fortes como Euro, Dólar ou Coroas Islandesas.
- Cartões de crédito: É necessário apresentar a fatura recente ou um comprovante bancário que demonstre o limite disponível para uso internacional.
- Cartões pré-pagos: Extratos que comprovem o saldo carregado na moeda estrangeira.
Apenas mostrar o cartão de crédito físico (o plástico) não é suficiente. O oficial precisa ver a liquidez, ou seja, o dinheiro disponível para uso imediato.
Seguro viagem obrigatório
Para ingressar na Islândia, o seguro viagem não é opcional; é uma exigência legal estabelecida pelo Tratado de Schengen. A apólice deve ter uma cobertura mínima de €30.000 (valores sujeitos a alterações) ou o equivalente em dólares.
A cobertura deve incluir, obrigatoriamente:
- Assistência médica por doença ou acidente.
- Atendimento hospitalar de emergência.
- Repatriação sanitária: Transporte do paciente de volta ao Brasil em caso de doença grave.
- Repatriação funerária: Transporte do corpo em caso de falecimento.
O seguro deve cobrir todo o período da viagem e ser válido em todos os países membros do espaço Schengen. A apólice deve ser apresentada impressa ou em formato digital acessível offline. É crucial que o seguro viagem (Tratado de Schengen) contenha um QR Code ou link de validação digital para confirmar a autenticidade da apólice instantaneamente na fronteira de Keflavík.
Passagem de retorno e hospedagem
A garantia de que o viajante deixará o território europeu é fundamental. Por isso, a apresentação da passagem aérea de volta ao Brasil (ou de continuação para um país fora do Schengen) é mandatória.
Passagens em modalidade “stand-by” (sujeitas a disponibilidade de assento) são frequentemente recusadas pela imigração, pois não garantem o embarque na data prevista. O bilhete deve estar confirmado e marcado.
Quanto à hospedagem, o turista deve provar onde passará todas as noites na Islândia. Reservas de hotéis, hostels ou comprovantes de aluguel de temporada devem cobrir a totalidade da estadia.
Carta-convite
Caso a hospedagem seja na casa de amigos ou familiares residentes na Islândia, uma reserva de hotel não se aplica. Nesse cenário, é exigida uma carta-convite formal.
O anfitrião deve redigir um documento contendo seus dados pessoais, endereço, telefone e o número de identidade islandês (Kennitala), declarando responsabilidade pela hospedagem do visitante. Em alguns casos, essa carta precisa ser autenticada localmente.
Restrições alfandegárias específicas
A Islândia é uma ilha com um ecossistema frágil e isolado. Por isso, as regras alfandegárias são mais rígidas do que na Europa continental, visando proteger a flora e a fauna locais.
É estritamente proibido entrar com carne crua, ovos ou laticínios não pasteurizados. Equipamentos de pesca usados, incluindo botas e roupas, devem ser obrigatoriamente desinfetados antes da entrada no país, com certificado de desinfecção apresentado na chegada.
Violações dessas regras podem resultar em confisco imediato dos bens e multas significativas. O viajante deve declarar qualquer item de origem animal no formulário de alfândega.
Restrição de Medicamentos Controlados
É importante notar que medicamentos controlados (psicotrópicos) exigem receita médica original traduzida para o inglês ou islandês. A quantidade permitida é limitada a um suprimento para 30 dias de uso. Recomenda-se portar a receita original e a tradução juramentada apostilada, garantindo a validade internacional do documento perante a alfândega.
Permissões para longas estadias
A isenção de visto aplica-se exclusivamente para turismo, negócios breves ou visitas familiares. Qualquer intenção de permanecer por mais de 90 dias ou exercer atividade remunerada exige uma permissão de residência (dvalarleyfi).
Brasileiros que desejam trabalhar, estudar ou morar na Islândia devem iniciar o processo de imigração ainda no Brasil. Não é permitido entrar como turista e solicitar a troca de status migratório para residente estando dentro do país.
O processo envolve o envio de documentação para a Diretoria de Imigração (Útlendingastofnun). Como a Islândia não possui embaixada residente no Brasil, a representação consular para emissão de vistos e coleta de biometria é frequentemente realizada pela Embaixada da Noruega, que terceiriza a coleta de dados e recepção de envelopes para o centro de processamento VFS Global (com unidades em São Paulo e Rio de Janeiro). O solicitante não vai diretamente à embaixada, mas sim ao VFS Global, ou através de envio postal direto, dependendo da categoria do visto.
Para vistos de longa duração (Residência), o pagamento da taxa de processamento deve ser feito via transferência bancária internacional antes do envio do formulário. É crucial que o solicitante peça ao banco o documento Swift MT103, que é o padrão internacional aceito pela Diretoria de Imigração Islandesa para rastrear o pagamento da taxa de processamento. O comprovante original dessa transferência deve ser anexado fisicamente ao processo de solicitação.
Estudo de caso prático: A Imigração Rigorosa
O Desafio Lucas, um fotógrafo brasileiro, planejou uma viagem de 20 dias para registrar as paisagens vulcânicas da Islândia. Ele investiu pesado em equipamentos e focou todo o seu planejamento nos roteiros fotográficos, negligenciando a parte burocrática.
O Problema Ao chegar na imigração em Keflavík, Lucas apresentou o passaporte, mas não tinha a apólice do seguro viagem impressa. Seu celular estava sem bateria para mostrar o comprovante digital. Além disso, ele contava apenas com um cartão de débito digital, sem extrato impresso ou PDF baixado que comprovasse o saldo para 20 dias em um país de alto custo.
A Solução e o Resultado O oficial de imigração reteve Lucas para uma verificação secundária. Foi permitido que ele carregasse o celular em uma sala reservada para acessar o aplicativo do banco e o e-mail com o seguro. Após duas horas de tensão e a demonstração de que possuía saldo suficiente e a apólice correta (com cobertura de €30.000), sua entrada foi autorizada, mas com uma advertência formal registrada em seu passaporte sobre a desorganização documental.
A Lição A tecnologia pode falhar no momento crucial. Tenha sempre cópias físicas de todos os documentos obrigatórios (seguro, reservas, extratos). A imigração islandesa é técnica e não abre exceções para falta de provas concretas de subsistência e segurança.
Conclusão
Viajar para a Islândia é uma experiência inesquecível, mas que demanda responsabilidade e organização prévia. A isenção de visto para brasileiros facilita o acesso, mas não elimina a necessidade de cumprimento rigoroso das normas de entrada.
Estar munido de passaporte válido, seguro viagem adequado, comprovantes financeiros robustos e passagem de retorno é o mínimo exigido para garantir que sua jornada pela terra do gelo e fogo comece sem imprevistos na fronteira.
Na Mundial Vistos, sabemos que cada detalhe conta. Se você precisa de assistência para entender os requisitos, emitir o seguro viagem obrigatório ou planejar uma estadia de longa duração, nossa equipe está pronta para oferecer o suporte técnico necessário.
Perguntas Frequentes
Brasileiros precisam de visto para a Islândia?
Para turismo e negócios de curta duração (até 90 dias), brasileiros estão isentos de visto. No entanto, é necessário cumprir os requisitos de entrada do Espaço Schengen, como seguro viagem e comprovantes financeiros.
Qual é o valor do seguro viagem exigido para a Islândia?
O seguro viagem é obrigatório e deve ter uma cobertura mínima de €30.000 (valores sujeitos a alterações) para despesas médicas e hospitalares, incluindo repatriação sanitária e funerária.
O que é o ETIAS e qual seu status atual para a Islândia?
O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem que tem previsão de entrada em vigor no último trimestre de 2026. O valor da taxa de processamento foi oficialmente fixado em 20 Euros. Em dezembro de 2025, o sistema não está coletando taxas nem emitindo autorizações, e brasileiros continuam isentos desta autorização prévia até o lançamento oficial.
Posso trabalhar na Islândia sem visto?
Não. A isenção de visto aplica-se apenas a turismo. Para trabalhar, é necessário solicitar uma permissão de residência e trabalho específica antes de viajar para a Islândia.
Quais documentos devo apresentar na imigração da Islândia?
Passaporte válido (mínimo 3 meses após a saída), passagem de volta, comprovante de hospedagem (ou carta-convite), seguro viagem obrigatório e comprovantes de recursos financeiros para a estadia, com valores de referência de 8.000 ISK por dia para turistas em hotéis, ou 4.000 ISK por dia com hospedagem garantida por residentes.
