Resposta Rápida:
Brasileiros não precisam de visto para turismo na Espanha por até 90 dias, mas a entrada não é automática. É obrigatório apresentar passaporte válido, passagem de volta, seguro viagem com cobertura de €30.000, comprovante de hospedagem (reserva ou Carta de Invitación oficial) e meios financeiros de cerca de €118,40 por dia (baseado no SMI vigente).
Visto para Espanha e regras de entrada: requisitos atuais para brasileiros
A Espanha permanece como um dos destinos mais cobiçados por brasileiros na Europa. Seja pela gastronomia vibrante, pela história rica ou pelo clima ameno, o país atrai milhares de visitantes anualmente. No entanto, a isenção de visto para turismo muitas vezes gera uma falsa sensação de segurança. A burocracia de fronteira é rigorosa e o desconhecimento das regras atuais, especialmente com a implementação do sistema EES, pode transformar o sonho da viagem em um pesadelo de inadmissão.
Neste artigo, a Mundial Vistos detalha exatamente o que você precisa para cruzar a fronteira espanhola com tranquilidade, abordando desde a documentação básica até as atualizações nos sistemas de controle do Espaço Schengen.
A isenção de visto e o Espaço Schengen
Para cidadãos brasileiros, a regra geral é favorável: não é necessário solicitar um visto prévio no consulado para viagens de turismo, negócios ou visitas familiares que durem até 90 dias. A Espanha é signatária do Acordo de Schengen, o que permite a livre circulação entre os países membros do bloco.
A regra dos 90/180 dias é o pilar dessa isenção. Você pode permanecer no Espaço Schengen por um máximo de 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias. É vital compreender que esse tempo é cumulativo. Se você passar 15 dias na França e depois seguir para a Espanha, esses dias contam para o mesmo saldo. O controle de passaporte ocorre na entrada do primeiro país do bloco e na saída do último, mas as autoridades podem verificar sua permanência legal a qualquer momento.
O novo cenário digital: EES e o futuro ETIAS
O cenário de viagens para a Europa passou por uma transformação tecnológica significativa. É fundamental distinguir dois conceitos que costumam confundir os viajantes: o EES (já em fase de operação) e o ETIAS (futuro).
O Sistema de Entrada/Saída (EES): O EES está em fase de implementação gradual. Embora o objetivo seja substituir o carimbo físico no passaporte pelo registro digital biométrico, durante o período de transição (previsto até meados de 2026), o carimbo físico ainda pode ser utilizado em conjunto com a coleta digital. Ao chegar à Espanha, brasileiros devem passar por quiosques ou guichês equipados para a coleta de biometria (foto facial e impressões digitais). O sistema registra automaticamente a data e o local de entrada, calculando com precisão o tempo de permanência autorizado. Isso elimina erros humanos na contagem dos dias e aumenta o rigor contra estadias irregulares.
O ETIAS: Diferente do EES, o ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem) é uma autorização prévia de viagem, não um visto. Embora seja um tópico constante, sua exigência obrigatória segue o cronograma da União Europeia, previsto para fases posteriores, ocorrendo aproximadamente 6 meses após a implementação total do EES. Portanto, para viagens em dezembro de 2025, ele realmente não é exigido. Para viagens imediatas, o foco deve estar na documentação física e no registro biométrico na chegada (EES), mas é sempre prudente verificar o status oficial de implementação do ETIAS antes de emitir passagens para datas futuras distantes.
Documentação obrigatória para apresentar na imigração
A isenção de visto não garante a entrada. O oficial da Polícia Nacional na imigração tem autoridade total para permitir ou negar seu acesso baseando-se na documentação apresentada. O check-list indispensável inclui:
Passaporte válido: Deve ter validade de pelo menos 3 meses após a data prevista para a saída do Espaço Schengen, ter sido emitido nos últimos 10 anos e, obrigatoriamente, possuir duas páginas em branco para carimbos (caso o EES esteja em manutenção ou fallback) ou registros.
Passagem de retorno: A prova de que você deixará o território europeu é mandatória. O bilhete deve estar marcado para uma data dentro do limite de 90 dias.
Comprovante de hospedagem: Você precisa provar onde passará cada noite. Reservas de hotel ou Airbnb são aceitas, mas devem estar preferencialmente pagas ou garantidas por cartão de crédito, e cobrir todas as noites da viagem sem lacunas. Se for ficar na casa de amigos ou parentes, a regra é estrita: é necessária a Carta de Invitación original. Este documento oficial é emitido pela polícia na Espanha a pedido do anfitrião. Este processo tem um custo para o anfitrião na Espanha, incluindo uma taxa administrativa de aproximadamente €75-€80 pela tramitação, mais uma taxa por convidado (valores sujeitos a alteração). Cartas informais escritas à mão não têm validade legal e são motivo frequente de recusa de entrada.
Comprovação financeira: valores e regras atuais
A capacidade de se sustentar financeiramente durante a viagem é um dos pontos mais fiscalizados. A Espanha utiliza o Salário Mínimo Interprofissional (SMI) como base para definir os valores exigidos dos turistas. Como o SMI sofre reajustes anuais, os valores de referência para o turismo acompanham esse aumento.
Atualmente, as regras baseadas no SMI vigente estipulam que o viajante deve comprovar (valores sujeitos a alteração anual):
- Valor diário: Mínimo de aproximadamente €118,40 por pessoa, por dia de estadia (correspondente a 10% do SMI bruto).
- Mínimo global: Independente da duração da viagem (mesmo que seja de apenas 2 dias), é necessário comprovar um montante mínimo global de cerca de €1.065,60 por pessoa (correspondente a 90% do SMI).
Os valores podem ser apresentados em dinheiro, cheques de viagem ou cartões de crédito internacionais. No caso dos cartões, é fortemente recomendado levar um extrato recente ou uma carta do banco atestando o limite disponível. Lembre-se também do limite alfandegário: valores em espécie acima de €10.000 devem ser declarados obrigatoriamente através do formulário S1.
Seguro Viagem: proteção obrigatória e essencial
Para entrar na Espanha, o Seguro Viagem não é um item opcional; é uma exigência legal do Tratado de Schengen. A apólice deve ter uma cobertura mínima de €30.000 para despesas médicas e hospitalares, além de cobrir repatriação sanitária e funerária.
Muitos brasileiros contam com o PB4 (CDAM) do INSS, que permite atendimento na rede pública espanhola. No entanto, o PB4 não substitui integralmente o seguro viagem, pois não cobre a repatriação sanitária ou funerária — um requisito obrigatório para a imigração e um custo que pode ser devastador para a família em caso de acidentes graves. O seguro privado oferece uma camada de proteção robusta contra cancelamentos de voo, extravio de bagagem e emergências de saúde complexas.
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Estudo de caso prático: o risco da hospedagem informal
Para ilustrar a rigidez das regras da Polícia Nacional, analisamos o caso de ‘Lucas e Ana’ (nomes fictícios), um casal de arquitetos que planejou uma viagem de 20 dias para Barcelona e Madri.
O Desafio: Lucas e Ana decidiram ficar os primeiros 10 dias na casa de um amigo de infância que reside legalmente em Madri. Para economizar tempo e taxas, acharam que apenas o endereço e o telefone do amigo bastariam, ignorando a burocracia da Carta de Invitación. Eles possuíam as passagens de volta, o seguro viagem e o dinheiro necessário, mas essa lacuna documental era um ponto crítico.
A Solução: Duas semanas antes da viagem, durante uma consultoria de revisão documental com a Mundial Vistos, nossa equipe identificou a falha. Explicamos que sem a Carta de Invitación original emitida pela Comisaría de Policía, o risco de serem barrados em Barajas era altíssimo, pois cartas informais não são aceitas. Como o prazo para o anfitrião emitir o documento oficial na Espanha era insuficiente (o processo pode levar mais de 30 dias), orientamos uma correção imediata: realizar uma reserva de hotel com cancelamento gratuito para o período em Madri.
O Resultado: O casal embarcou com a documentação ajustada. Na imigração, apresentaram as reservas hoteleiras válidas, cumprindo o requisito de hospedagem de forma inquestionável. Entraram na Espanha sem problemas. A orientação preventiva salvou a viagem de um possível retorno forçado e garantiu que a estadia fosse focada no turismo, não em problemas legais.
Vistos de longa duração
Se o seu plano excede o turismo de 90 dias, as regras de isenção não se aplicam. Para morar, estudar ou trabalhar, é necessário solicitar um visto específico ainda no Brasil. As opções mais procuradas incluem:
- Visto de Estudo: Para cursos com carga horária superior a 90 dias.
- Residência Não Lucrativa: Ideal para aposentados ou detentores de renda passiva que desejam viver na Espanha sem trabalhar no país.
- Visto de Nômade Digital: Para quem trabalha remotamente para empresas fora da Espanha, uma modalidade que ganhou muita força nos últimos anos.
Conclusão
A Espanha é um país fascinante, mas suas fronteiras exigem respeito absoluto às formalidades. A diferença entre uma chegada tranquila e um problema na imigração reside quase sempre na qualidade da preparação documental. As regras mudam, os valores atrelados ao SMI são atualizados e novos sistemas como o EES tornam o controle cada vez mais rigoroso.
Na Mundial Vistos, entendemos que cada viagem é um projeto de vida. Seja para garantir que sua documentação de turismo esteja impecável ou para assessorar processos complexos de vistos de residência e estudo, nossa equipe de especialistas está pronta para guiar você. Não deixe que a burocracia atrapalhe seus planos.
Perguntas Frequentes
Qual o valor mínimo por dia para entrar na Espanha?
O valor é calculado como 10% do Salário Mínimo Interprofissional (SMI) bruto vigente. Atualmente, a referência é de aproximadamente €118,40 por pessoa/dia, com um mínimo global exigido de cerca de €1.065,60 por pessoa, independentemente da duração da viagem (valores sujeitos a reajuste anual).
O que é a Carta de Invitación para a Espanha?
É um documento oficial obrigatório para quem vai se hospedar na casa de amigos ou parentes. Ela deve ser solicitada pelo anfitrião residente na Espanha diretamente na Comisaría de Policía. O processo tem um custo para o anfitrião, incluindo uma taxa administrativa de aproximadamente €75-€80 pela tramitação, mais uma taxa por convidado (valores sujeitos a alteração). Cartas informais feitas à mão não têm validade legal na imigração.
Preciso do ETIAS para entrar na Espanha agora?
Atualmente, o ETIAS ainda está em fase de implementação gradual pela União Europeia. Para viagens imediatas, ele não é exigido, mas é fundamental verificar o status oficial antes de sua viagem, pois a regra pode mudar.
O seguro viagem do cartão de crédito serve para a Espanha?
Sim, desde que a apólice emitida cubra explicitamente despesas médicas e hospitalares de no mínimo €30.000 e inclua repatriação sanitária e funerária. É vital imprimir a apólice em inglês ou espanhol para apresentar na imigração.
Quanto tempo posso ficar na Espanha como turista?
Brasileiros podem permanecer por até 90 dias dentro de um período de 180 dias. Esse tempo conta para todo o Espaço Schengen (não apenas a Espanha). Se ultrapassar esse limite, você ficará em situação irregular.
