Resposta Rápida:
Brasileiros não precisam de visto prévio para turismo nas Ilhas Maurício por até 90 dias. A entrada é concedida mediante Permissão de Entrada na chegada. É obrigatório apresentar passaporte válido (recomendado 6 meses para embarque), Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela (CIVP), passagem de retorno confirmada e comprovante de hospedagem. Exige-se comprovação financeira de cerca de USD 100 por dia e preenchimento do formulário digital “Mauritius All-in-One Travel”. Vistos para estudos ou trabalho são consulares.
Visto para Ilhas Maurício: requisitos de entrada e documentação para brasileiros
As Ilhas Maurício, localizadas estrategicamente no Oceano Índico, consolidaram-se como um destino de prestígio no cenário do turismo internacional. Para os cidadãos brasileiros, o planejamento desta viagem inicia-se com uma vantagem legislativa considerável: a isenção de visto consular prévio para fins de turismo. No entanto, é um erro técnico comum confundir essa isenção com a ausência de controle fronteiriço ou livre circulação automática.
A entrada no território mauriciano é regida pela concessão de uma Permissão de Entrada (Entry Permit) no momento do desembarque. Este procedimento transfere a autoridade de decisão dos consulados para os oficiais de imigração no Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam. A Mundial Vistos alerta que a autoridade de fronteira detém poder discricionário absoluto para conceder ou negar o ingresso, baseando-se na consistência da documentação apresentada.
A permissão padrão autoriza uma permanência de até 90 dias, sendo improrrogável para fins turísticos sem justificativa legal robusta. A conformidade com os regulamentos governamentais não é apenas uma formalidade, mas o alicerce para garantir a admissibilidade no país. A preparação documental deve ser meticulosa, abrangendo desde a validade do passaporte até protocolos sanitários específicos.
A dinâmica da permissão de entrada na chegada
Diferentemente do processo de visto tradicional, onde o viajante embarca com a autorização já estampada no passaporte, o sistema de Maurício opera sob a lógica de verificação in loco. Ao desembarcar, o cidadão brasileiro deve dirigir-se aos guichês de imigração, onde será submetido a uma entrevista técnica.
O oficial de imigração avaliará três pilares fundamentais: a intenção genuína de turismo, a capacidade financeira de custeio e a garantia de retorno ao país de origem. Qualquer inconsistência nas respostas ou na documentação física pode levar a uma segunda inspeção ou à inadmissibilidade.
É crucial salientar que a isenção de visto é exclusiva para atividades não remuneradas. Se houver qualquer indício de intenção de trabalho, negócios comerciais diretos ou estudos de longa duração, a categoria migratória muda, exigindo vistos consulares processados ainda no Brasil. Para o turista, a organização prévia dos documentos listados a seguir é a única forma de blindar a viagem contra imprevistos.
Documentação mandatória: passaporte e validade
O passaporte brasileiro é o instrumento primário de identificação e deve cumprir requisitos rigorosos. Para garantir o embarque sem intercorrências com companhias aéreas e em portos de conexão, recomenda-se que o passaporte tenha validade mínima de 6 meses. No entanto, a exigência legal mauriciana é que o documento seja válido durante todo o período da estadia pretendida. Passaportes que expirem antes do período recomendado pelas companhias aéreas podem ser rejeitados automaticamente pelos sistemas de check-in.
Além da questão temporal, a integridade física do documento é um fator de análise. O passaporte não pode apresentar rasuras, descolamento de páginas, manchas de água ou danos na capa que dificultem a leitura mecânica ou visual dos dados biométricos. A apresentação de um documento danificado é motivo frequente de recusa de embarque.
Outro requisito técnico é a disponibilidade de páginas. É exigido que o passaporte contenha, no mínimo, uma página em branco (frente e verso livres) para a aposição dos carimbos de entrada e saída. Sem este espaço físico para o registro oficial do fluxo migratório, a entrada não pode ser processada legalmente.
Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP)
Entre as exigências sanitárias, a comprovação de imunização contra a febre amarela é a mais crítica para viajantes procedentes do Brasil. As autoridades de saúde das Ilhas Maurício classificam o Brasil como área de risco de transmissão, tornando a vacina um requisito de segurança nacional.
O viajante deve apresentar o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) original. A vacina deve ter sido administrada com uma antecedência mínima de 10 dias em relação à data de embarque. Este intervalo é o tempo científico necessário para que o sistema imunológico desenvolva os anticorpos e para que a vacina seja considerada válida internacionalmente.
Viajantes que tentam embarcar sem o CIVP ou com a vacina tomada há menos de 10 dias enfrentam a negação sumária da entrada. Não há possibilidade de vacinação no aeroporto de chegada para regularização imediata. A isenção desta vacina só é aceita mediante atestado médico oficial contraindicando a imunização, que deve ser traduzido e validado previamente.
Comprovantes de viagem e hospedagem
A imigração mauriciana opera sob o princípio de que todo turista deve ter uma data definida para deixar o país. Portanto, a apresentação da passagem aérea de ida e volta confirmada é mandatória. Bilhetes em aberto, reservas não pagas ou passagens sujeitas a disponibilidade (stand-by) geralmente não são aceitos como prova suficiente de intenção de retorno.
No quesito acomodação, a exigência varia conforme o tipo de estadia:
- Hotéis e Resorts: Deve-se apresentar o voucher da reserva confirmada cobrindo todo o período da viagem. O documento deve conter o endereço completo e telefone do estabelecimento.
- Hospedagem em Residência (Letter of Accommodation/Sponsorship): Se o viajante ficará na casa de amigos ou familiares, é exigida uma carta-convite formal. Este documento, denominado “Letter of Accommodation” (ou “Letter of Sponsorship”), deve incluir os dados completos do anfitrião (nome, endereço, telefone), detalhes do viajante e o período de estadia. Frequentemente, exige-se anexo uma cópia do documento de identidade (ID Card) ou visto de residência do anfitrião, além de uma conta de consumo recente para comprovar o endereço.
Solvência financeira: comprovação de recursos
A capacidade de autossustento durante a estadia é uma preocupação central para evitar a migração ilegal ou o uso de fundos públicos. O viajante deve estar preparado para comprovar a posse de recursos financeiros compatíveis com o padrão de turismo nas ilhas.
O parâmetro oficial utilizado pela imigração gira em torno de USD 100 (cem dólares americanos) por dia de permanência por pessoa. Embora este valor possa variar conforme o perfil da viagem, ele serve como base de cálculo para os oficiais.
A comprovação deve ser robusta e diversificada:
- Dinheiro em espécie: Dólares Americanos, Euros ou Rúpias Mauricianas.
- Cartões de Crédito: Faturas recentes ou prints do aplicativo bancário mostrando o limite internacional disponível.
- Extratos Bancários: Saldos em conta corrente ou poupança com liquidez imediata.
Recomenda-se levar uma combinação destes meios para evitar problemas caso um sistema bancário falhe ou o oficial solicite uma segunda forma de comprovação.
O formulário digital “Mauritius All-in-One Travel”
A modernização dos controles de fronteira resultou na implementação do “Mauritius All-in-One Travel Digital Form”. Este sistema eletrônico substituiu os antigos formulários de papel distribuídos nos aviões, unificando as declarações de saúde e de imigração em uma única plataforma.
O preenchimento é obrigatório e deve ser realizado através do portal oficial do governo (safemauritius.govmu.org) antes do embarque ou durante o voo, caso haja conectividade. O formulário solicita dados do voo, informações de saúde, histórico de viagens recentes e detalhes da hospedagem.
Após a submissão correta dos dados, o sistema gera automaticamente um documento em formato PDF contendo um código QR exclusivo. Este documento deve ser impresso ou salvo no dispositivo móvel. Ao desembarcar, o código QR será escaneado pelos oficiais de saúde e imigração para validar as informações. A ausência deste formulário preenchido acarreta atrasos significativos na fila de imigração e interrogatórios adicionais.
Protocolos de saúde e vacinação complementar
Além da vacina contra febre amarela, o viajante deve observar outras recomendações sanitárias para garantir uma estadia segura. Embora não sejam exigidas para a entrada legal, manter o calendário vacinal de rotina atualizado é uma medida de prudência.
Recomenda-se a atualização das vacinas contra:
- Tétano e Difteria;
- Sarampo, Caxumba e Rubéola (Tríplice Viral);
- Poliomielite;
- Hepatite A e B.
As Ilhas Maurício apresentam riscos sazonais para doenças transmitidas por vetores, como dengue e chikungunya. O risco de malária é considerado baixo ou inexistente nas áreas turísticas, mas a prevenção contra picadas de insetos permanece essencial. O uso de repelentes com icaridina ou DEET, roupas compridas ao amanhecer e entardecer, e a escolha de acomodações com telas de proteção são práticas recomendadas.
Restrições de Medicamentos Controlados
As Ilhas Maurício possuem leis extremamente rigorosas contra a importação de psicotrópicos e certas classes de analgésicos fortes (como codeína, morfina, etc.). Viajantes que necessitam portar medicamentos controlados ou de uso contínuo devem obrigatoriamente apresentar a receita médica original e uma cópia traduzida para o inglês, com a devida identificação do médico e do paciente. Atenção especial a medicamentos contendo codeína ou tramadol; estes exigem não apenas tradução, mas a receita original física para apresentação imediata sob demanda da alfândega. A ausência desta documentação pode resultar na apreensão dos medicamentos, multas pesadas ou até mesmo prisão por tráfico de drogas. Recomenda-se verificar a lista completa de substâncias restritas junto à embaixada ou consulado de Maurício antes da viagem.
Aspectos logísticos: moeda e pagamentos
A moeda oficial do país é a Rúpia Mauriciana (MUR). Embora o Dólar Americano e o Euro sejam amplamente aceitos para troca, a utilização da moeda local é imperativa para o pagamento de transporte público, pequenas compras em mercados locais e gorjetas.
A troca de divisas deve ser realizada exclusivamente em instituições autorizadas. O aeroporto possui casas de câmbio oficiais que operam 24 horas e oferecem taxas competitivas. Evite o mercado paralelo de câmbio, pois além de ilegal, apresenta alto risco de fraude.
Cartões de crédito das bandeiras Visa e Mastercard são aceitos na maioria dos hotéis, restaurantes e lojas de shopping. No entanto, a dependência exclusiva de cartões não é aconselhável. Falhas de conexão em terminais de pagamento podem ocorrer, tornando vital portar uma quantia de segurança em espécie.
Restrições Alfandegárias e Declaração de Valores
As Ilhas Maurício possuem controles rigorosos sobre a entrada de tabaco. Turistas acima de 18 anos estão limitados a apenas 200 cigarros ou 250g de tabaco. Exceder esse limite sem declarar pode gerar multas significativas no “Canal Vermelho” da alfândega.
Embora o texto mencione a comprovação financeira, é importante notar que valores em espécie superiores a 500.000 MUR (ou equivalente em moeda estrangeira, aproximadamente USD 10.800) devem ser obrigatoriamente declarados na chegada e na saída do país.
Taxa de Proteção Ambiental (EPF)
Em 2025, as Ilhas Maurício implementaram uma Taxa de Proteção Ambiental (EPF – Environmental Protection Fee) para turistas, visando apoiar iniciativas de sustentabilidade. É crucial que o viajante verifique junto à sua acomodação se a Taxa de Proteção Ambiental (EPF) será cobrada no momento do check-out, conforme a categoria do estabelecimento, pois esta é, na esmagadora maioria dos casos, uma taxa de permanência cobrada diretamente pelo estabelecimento de hospedagem (Hotéis, Guest Houses, Tourist Residences) por noite/pessoa, e não um imposto de fronteira pago no desembarque ou embutido globalmente em bilhetes aéreos.
Condução e transporte local
Para os turistas que desejam alugar um veículo, é fundamental atentar-se à regra de trânsito mais impactante: a condução nas Ilhas Maurício segue a “mão inglesa”, ou seja, dirige-se pelo lado esquerdo da via e o volante situa-se à direita do veículo.
As estradas principais são bem pavimentadas, mas as vias secundárias podem ser estreitas, sinuosas e com iluminação precária à noite. A legislação de trânsito é rigorosa: o uso de cinto de segurança é obrigatório para todos os ocupantes e o manuseio de celular ao volante é proibido.
Para alugar um carro, o motorista deve apresentar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) brasileira válida. Embora a Permissão Internacional para Dirigir (PID) não seja estritamente obrigatória para estadias curtas (se a CNH for legível em alfabeto latino), ela é altamente recomendada para facilitar a interação com autoridades locais em caso de fiscalização.
Vistos para estadias prolongadas ou específicas
Quando o objetivo da viagem ultrapassa o turismo de curta duração (90 dias), a isenção de visto perde a validade. Cidadãos brasileiros que pretendem trabalhar, realizar negócios complexos, estudar ou residir nas Ilhas Maurício devem solicitar o visto apropriado (Visa) ou a Permissão de Ocupação (Occupation Permit).
Estes processos são burocráticos e devem ser iniciados meses antes da viagem. Envolvem a submissão de:
- Contratos de trabalho validados pelo Ministério do Trabalho local;
- Cartas de aceitação de instituições de ensino credenciadas;
- Comprovantes de investimento financeiro no país;
- Exames médicos completos realizados em clínicas autorizadas;
A tentativa de exercer atividade remunerada entrando como turista é considerada uma infração grave, sujeita a deportação e proibição de reentrada no país.
Seguro viagem: altamente recomendado (não mais exigência legal)
Embora o foco principal da preparação seja a documentação migratória, a segurança sanitária e financeira é um pilar inegociável. O sistema de saúde público de Maurício é acessível aos cidadãos, mas turistas são direcionados ao sistema privado, que é eficiente, porém de custo elevado.
Embora não seja mais uma exigência legal de entrada desde a atualização dos protocolos pós-pandemia, a contratação de um seguro viagem com cobertura para despesas médicas e hospitalares (DMH) é imperativa devido aos altos custos do sistema de saúde privado local. Ele é a garantia de que, em caso de acidente ou enfermidade súbita, o viajante terá acesso ao tratamento necessário sem comprometer suas finanças ou depender de recursos consulares. Além disso, a cobertura para repatriação sanitária e translado de corpo é essencial em situações críticas.
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Estudo de caso prático: A Carta-Convite Incompleta
O Desafio Um casal de brasileiros planejou uma viagem de 20 dias para as Ilhas Maurício, optando por ficar na casa de um amigo residente em Port Louis para vivenciar a cultura local de forma autêntica. Eles compraram as passagens aéreas, tomaram a vacina de febre amarela no prazo correto e levaram dinheiro suficiente.
O Problema Ao chegarem na imigração do Aeroporto Sir Seewoosagur Ramgoolam, apresentaram apenas o endereço do amigo anotado em um papel e um print de uma conversa informal de WhatsApp como prova de hospedagem. O oficial de imigração recusou a entrada imediata, pois a documentação não constituía uma “Letter of Accommodation” oficial. Faltavam a cópia da identidade do anfitrião, comprovante de residência e uma declaração formal de responsabilidade assinada.
A Solução e o Resultado O casal foi retido em uma área de espera secundária. Eles precisaram contatar o amigo urgentemente, que teve de se deslocar até uma delegacia local para assinar uma carta formal e enviar uma cópia digitalizada de seu documento de residência e identidade para o e-mail da imigração do aeroporto. Após 4 horas de tensão e verificação minuciosa dos dados do anfitrião, a entrada foi finalmente autorizada.
A Lição A informalidade não tem espaço em fronteiras internacionais. Mesmo ao se hospedar na casa de amigos, a documentação deve seguir o rigor protocolar exigido pelo governo (carta formal + documentos do anfitrião) para evitar retenções, interrogatórios ou deportação.
Em resumo
- Isenção de Visto: Brasileiros não precisam de visto prévio para turismo (até 90 dias).
- Passaporte: Validade mínima de 6 meses recomendada para embarque; legalmente, válido durante a estadia e página em branco obrigatória.
- Febre Amarela: Certificado CIVP é obrigatório (vacina tomada 10 dias antes).
- Formulário Digital: Preenchimento do “Mauritius All-in-One Travel” gera QR Code essencial.
- Hospedagem: Reserva de hotel ou carta-convite (letter of accommodation) formalizada.
- Financeiro: Comprovação de aprox. USD 100/dia por pessoa.
- Passagem: Bilhete de retorno confirmado é exigido no embarque e na chegada.
Conclusão
As Ilhas Maurício oferecem uma experiência paradisíaca inigualável, mas o acesso a esse refúgio exige precisão documental e respeito às normas de soberania local. A aparente facilidade da isenção de visto esconde detalhes técnicos que, se negligenciados, podem comprometer sua jornada ainda no aeroporto de origem ou na chegada.
A Mundial Vistos domina os trâmites de entrada, as exigências sanitárias e os protocolos migratórios deste destino exclusivo. Não permita que a burocracia ofusque o brilho de sua viagem. Consulte nossos especialistas hoje mesmo e garanta que sua única preocupação seja aproveitar as águas cristalinas do Oceano Índico com total segurança jurídica.
Perguntas Frequentes
Brasileiros precisam de visto para as Ilhas Maurício?
Para turismo de até 90 dias, brasileiros são isentos de visto prévio. A permissão de entrada é concedida na chegada ao aeroporto, mediante apresentação dos documentos exigidos.
A vacina de febre amarela é obrigatória para entrar em Maurício?
Sim, é obrigatória para viajantes acima de 1 ano procedentes do Brasil. O Certificado Internacional (CIVP) deve comprovar a vacinação com no mínimo 10 dias de antecedência ao embarque.
Qual a validade exigida do passaporte para viajar para Maurício?
Recomenda-se que o passaporte tenha validade mínima de 6 meses para garantir o embarque. Legalmente, ele deve ser válido durante todo o período da estadia e possuir pelo menos uma página em branco para os carimbos de imigração.
Quanto dinheiro preciso levar para entrar nas Ilhas Maurício?
A imigração utiliza como referência o valor de USD 100 (dólares americanos) por dia de estadia por pessoa. A comprovação pode ser feita via dinheiro em espécie, cartões de crédito ou extratos bancários.
O que é o formulário Mauritius All-in-One Travel?
É um formulário digital obrigatório que unifica as declarações de saúde e imigração. Deve ser preenchido online antes do voo para gerar um QR Code que será exigido na chegada.
